A pandemia de Covid-19 realmente acelerou a transformação digital?

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Por Danillo Sciumbata*
*Digital Transformation Manager at Essilor Group (SP)

Arrisco a afirmar que 80% das empresas tradicionais ainda não entenderam, ou pior, entenderam errado o real significado de transformação digital.

Achou exagerado? Então vem cá e pensa comigo.

O que realmente significa essa buzzword?

O que mais observamos são empresas com uma trilha já definida, cheias de respostas que terminam em Apps, SaaS, Bots, I.A, etc no caminho da digitalização de várias rotinas.

Especialmente nesses últimos dois anos, com os impactos da pandemia, fomos erroneamente conduzidos para  a afirmação de que “a Covid-19 acelerou a transformação digital nas empresas”. Isso não é bem verdade. Acelerou, sim, a adoção de tecnologias pontuais para que os negócios continuassem operando em um momento tão peculiar. Mas será mesmo que isso faz parte da estratégia das organizações?

Transformação é um movimento muito mais profundo para organizações com mais de 30 anos de vida. Tudo deveria começar pelo “Reason Why”.

COMO efetivamente um negócio que começou antes da internet se adapta e continua crescendo na era digital?

Essa é a pergunta de ouro, porque ela vai te conduzir para uma inquietação desconfortável e fundamental. Já dizia Andy Rogers: “Só os paranoicos sobrevivem”, e TD não é tecnologia, é estratégia pura. É sobre como decidir quais tecnologias e comportamentos o seu negócio precisa se adaptar para habilitar a sua estratégia de perpetuação no longo prazo.

O professor Rogers, seguramente a maior referência mundial nesse tema, utiliza essa pergunta para conduzir as maiores empresas globais para uma revisão de cinco dimensões que provocam essa jornada de repensar a organização para continuar relevante, o famoso CCDIV (Customers, Competition, Data, Innovation and Value).

Outro erro comum é uma empresa tradicional se comparar com empresas nativas digitais. 

Você até pode, e deve, se inspirar nelas, mas não cometa o erro de achar que transformação digital é fazer sua empresa pensar e agir como uma startup. Empresas digitais são diferentes em tudo, em cultura, forma e estrutura. Elas nasceram em sua grande maioria em “garagens”, lutando digitalmente para explorar as lacunas que o seu negócio tradicional deixou pelo caminho ou sequer enxergou. Com isso, acabaram propondo uma nova dinâmica de mercado. É você que precisa se transformar, não elas.

Elas lutam por cada dólar de orçamento. Enquanto budgets de grandes companhias são bem mais generosos, elas têm uma colaboração natural e um alinhamento comportamental que geram liberdades impensáveis em grandes organizações. Aliás, esses traços culturais são a parte mais difícil da jornada de transformação em uma grande empresa. Tentar ser igual a elas no início do seu processo só vai consumir energia e gerar atrito nos mais diferentes níveis da organização.

Não caia no modismo. Estude sua empresa, sua cadeia de valor, crie um plano de gestão de mudança, envolva as áreas certas nas tarefas certas, proponha pequenas ações de baixo risco e impacto suficientes para corroborar o seu discurso e ganhar patrocínio nas esferas mais altas, execute e use esses exemplos para avançar para as próximas fases.

“Só os paranoicos sobrevivem” (Andy Rogers).

É uma movimentação que não será do dia para a noite. Será uma maratona que exige facilitação, liderança positiva e um processo que precisa ser planejado e estruturado para gerar pequenas vitórias de curto prazo, e também grandes mudanças no longo prazo, um comprometimento verdadeiramente estratégico. Fique em paz, agilidade não significa velocidade, uma organização verdadeiramente ágil é aquela que encontra o seu compasso para se adaptar às mudanças e consegue impor esse ritmo vencendo seus temores.

Minha dica, comece pela dimensão da experimentação digital. Isso vai exigir de você uma estrutura de design e exploração que vai envolver várias áreas da empresa, gerando uma aprendizagem organizacional, expondo as principais barreiras e preparando terreno para novas oportunidades de melhoria imediata com ganhos reais no curto prazo, tanto em eficiência, savings, como em novas formas de se relacionar com sua cadeia de clientes e parceiros de negócios.

Além disso, essa aproximação com empresas digitais irá reduzir a sua curva de aprendizagem, proporcionando novidades culturais, novas formas de ideação e execução, novos talentos intraempreendedores surgirão, a inovação vai se apresentar para você em vários formatos e modelos de negócio e, principalmente, vai apoiá-lo no convencimento interno de que é possível, sim, fazer diferente, aliando eficiência e exploração, a chamada ambidestria organizacional.

CCDIV (Customers, Competition, Data, Innovation and Value)

E agora, concorda um pouco mais com a estimativa do início desse texto? E de quem é o papel de ajudar a melhorar esses números?

É nosso! Seja você um entusiasta, um gerente ou principalmente uma liderança, quando você escutar esse termo novamente, questione se é uma transformação real ou não, apoie sua empresa nessa jornada.

Começar errado é pior do que demorar para começar.

Artigo originalmente publicado no LinkedIn.

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Sobre o Autor

Formada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo - pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), especializada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Caxias do Sul e licenciada em Letras pela UCS.

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