Crescimento mais robusto da economia somente no segundo semestre de 2020, diz economista na CIC Caxias

Por Marta Guerra Sfreddo

Ao afirmar que indicadores de atividade econômica, no Brasil, apontam para uma recuperação bem mais lenta do que o esperado pelo mercado, e que há um risco de desaceleração das principais economias desenvolvidas no horizonte de até dois anos, a economista Helena Veronese avaliou o cenário político e macroeconômico nacional e internacional. Helena foi a palestrante da reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) nesta segunda-feira (9), em evento comemorativo aos 22 anos do Banco da Mulher de Caxias do Sul.

“Se no segundo semestre de 2018, a confiança, em particular a do consumidor, era um bom antecedente de recuperação do consumo, não é exagero dizer que em 2019 os indicadores de confiança têm sido um redutor do crescimento”, afirmou, referindo-se à expectativa de que este seria o ano da recuperação após a euforia verificada em janeiro. “O cenário está complicado. O mundo está atrapalhando um pouco, mas vamos conseguir crescer se continuarmos a fazer a lição de casa. Acredito que somente no segundo semestre de 2020 teremos um período de crescimento mais robusto”, ressaltou.

De acordo com Helena, que é economista-chefe da Azimut Brasil, a expectativa de crescimento, que em janeiro era de 2,53%, atingiu a mínima de 0,80%, apesar de o PIB do segundo trimestre surpreender positivamente com alta de 0,4%, impulsionado pelo desempenho da indústria, investimentos e serviços.  Para a palestrante, a evolução da taxa de desemprego é o pior lado da crise. “O crescimento da ocupação vem acompanhado pela queda no rendimento médio real, que certamente é um sinal amarelo às perspectivas de consumo”, explicou.

Além disso, a elevada subutilização da força de trabalho e a fraca atividade econômica ajudam a explicar os baixos salários das vagas oferecidas. São 24,2 milhões de pessoas trabalhando por conta própria, revelou. Já o lado “bom” do desemprego, conforme a economista, é o controle da inflação, que, somado à capacidade ociosa, permite que a economia cresça sem gerar pressões em um primeiro momento. “Este cenário inflacionário dá flexibilidade para o Banco Central manter o ritmo de afrouxamento monetário”, observou.

Reformas da Previdência e Tributária são apostas do governo federal

A executiva da Azimut Brasil ponderou que a Reforma da Previdência foi o primeiro e importante passo para resolver a questão fiscal brasileira (que ela classificou como “o permanente calcanhar de Aquiles”), ainda marcada por déficit primário e aumento do endividamento bruto. Sem espaço para fazer renúncias fiscais ou aumentar impostos, a única forma de o governo conseguir dominar a questão fiscal é via continuidade de reformas macro e microeconômicas, opinou.

Economista alerta para desaceleração na economia mundial

Na área internacional, apesar da economia apresentando índices de crescimento e pleno emprego, Helena prevê que os Estados Unidos podem estar seguindo rumo à recessão. Mesma situação experimentada pela Alemanha e pela Europa de modo geral, como consequência do desempenho da economia alemã, já que ela responde, sozinha, por 30% da economia da Zona do Euro, além de ser a quarta maior do mundo.

A desaceleração da economia chinesa, segundo ela, já não é novidade. “A indústria do país atingiu em agosto seu pior nível em 17 anos”, ilustrou. De acordo com a economista, a mudança de modelo de crescimento explica parte do cenário. “Diante das dificuldades impostas por um cenário global mais fraco e um possível acirramento da guerra comercial, o governo chinês já começa a estudar medidas de estímulo”, disse.

Homenagens marcam os 22 anos do Banco da Mulher em Caxias do Sul

Fundado em 1997 por iniciativa da CIC, o Banco da Mulher de Caxias do Sul, hoje uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), foi homenageado pelo presidente da entidade, Ivanir Gasparin. Ele fez a entrega à presidente do Banco da Mulher, Silvana Dalle Grave, uma placa exaltando o trabalho social exercido pela instituição e a dedicação de dezenas de voluntárias que fazem a gestão do banco desde a sua fundação. Sua atuação é voltada ao desenvolvimento humano e financeiro da população de baixa renda. A organização disponibiliza capital de giro para compra de matéria-prima e de máquinas e equipamentos para quem pretende abrir, ampliar ou melhorar o próprio negócio.

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Formada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo - pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), especializada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Caxias do Sul e licenciada em Letras pela UCS.

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