Dilton José Sfreddo: meu pai ganhou uma rua na cidade onde nasci

Hoje vou contar uma história pessoal. Há aproximadamente dois anos, decidi realizar um sonho: homenagear o grande ser humano que foi meu pai, Dilton José Sfreddo.

Disposta a fazer com que seu nome fosse lembrado na cidade que ele ajudou a desenvolver, sugeri a homenagem para antigos conhecidos. Para minha grata surpresa, esse dia muito especial para a Família Sfreddo chegou!

No dia 1º julho recebemos cópia da lei aprovada por unanimidade na Câmara de Vereadores, sancionada pelo prefeito e que denomina Rua DILTON JOSÉ SFREDDO via pública no Distrito Industrial de Santiago (RS), a cidade em que meus irmãos e eu nascemos. Foi um misto de sentimentos ver o nome do meu pai fazendo parte da história da cidade que ele ajudou a construir e desenvolver, mas orgulho é o que melhor define o momento.

Quero registrar meu agradecimento ao prefeito Tiago Gorski Lacerda, ao vice-prefeito Marcelo Pirú, à vereadora Alexsandra Terra, autora da proposta, ao Legislativo municipal e à comunidade de Santiago. Estou honrada, pois esta distinção perpetua a memória e o legado de um grande cidadão santiaguense, empresário e pai de família, e fortalece os vínculos com a cidade que me viu nascer e crescer.

Meu pai amava Santiago e dedicou sua vida ao desenvolvimento do município, doando seu tempo e trabalho para as boas causas da comunidade. Localizada na Região Centro-Oeste do Rio Grande do Sul e com cerca de 50 mil habitantes, Santiago é conhecida como a Terra dos Poetas, por sua tradição literária e por ser berço de muitos poetas e escritores de renome.

Quem foi Dilton José Sfreddo

Dilton José Sfreddo nasceu em Jaguari em 3 de agosto de 1940. Filho de Angelina Sfreddo, foi criado por tios-avôs no Distrito de Vila Branca, interior de Santiago, para onde mudou-se ainda na tenra infância. Cresceu ajudando a família na lavoura. Estudou até a 4ª série do Ensino Fundamental, mas desenvolveu uma inteligência peculiar baseada na prática e no gosto pela invenção, que fizeram dele um empresário inovador e visionário para sua época.

Aos 21 anos casou-se com Teresa Lourdes Guerra, natural da localidade de Picada do Funcho, interior de Santiago. O casal foi morar na cidade, onde Dilton montou uma pequena funilaria. Tiveram três filhos: Marta, Ivone e Milton.

Em 1971, a família sofreu um grave acidente de trânsito que vitimou Teresa. Depois de recuperar sua saúde, devido à gravidade do acidente, Dilton retomou as atividades na pequena indústria localizada na Rua Getúlio Vargas, tendo seu sobrinho Neri Guerra como sócio.

Em 1973 casou-se com Úrsula Verena Stertz, irmã do Padre Ireneu Stertz, à época vigário da Paróquia de Santiago. Por muitos anos, a pequena empresa patrocinou o programa “Uma luz no seu caminho”, que ia ao ar todas as manhãs pela Rádio Santiago.

Pelos laços de sangue que uniam Úrsula ao Padre Ireneu, a família paroquial tornou-se quase extensão da Família Sfreddo. O casal Dilton e Ursula participava da Equipe Fonte (de articulação pastoral) e do Conselho Administrativo Geral, além de ministrar aulas de catequese em sua própria residência. Do seu segundo casamento, nasceram Sérgio e Leonardo.

Dilton participou ativamente do planejamento da construção de vários patrimônios da Paróquia erguidos à época, como o Retiro Jordão, no Distrito de Ernesto Alves, a nova Igreja Matriz e o Seminário onde hoje residem os padres, no Bairro Vila Nova.

Nas décadas de 70 e 80, com sua personalidade visionária e sua característica empreendedora, Dilton José Sfreddo impulsionou a pequena funilaria, que cresceu e se tornou a conhecida empresa Indústria Sfreddo, uma metalúrgica que, no auge da sua evolução e presença no mercado, chegou a empregar 70 funcionários e ter a matriz no tradicional endereço, à Rua Pinheiro Machado, e duas filiais na cidade.

Fabricava aberturas, tanques para combustíveis e armações metálicas para galpões e grandes edificações (incluindo o Colégio Medianeira, da Rede Verzeri, pertencente à Congregação das Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus), com clientes não só na Região, como em todo o estado e até mesmo fora do Rio Grande do Sul.

Nunca deixou de lado seu espírito comunitário, e, ao mesmo tempo em que administrava a empresa, trabalhava voluntariamente nos projetos da Casa Paroquial, tendo sido presidente da comissão organizadora de festas e quermesses em diversas ocasiões. Também participou como membro da diretoria do Círculo Operário Santiaguense.

Dilton José Sfreddo faleceu aos 54 anos, em 13 de novembro de 1994, no Hospital de Caridade, em Santa Maria, ao sofrer um AVC. Antes de seu falecimento, porém, viu, com muito orgulho, seus três filhos mais velhos formarem-se na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM): Marta graduou-se em Jornalismo; Ivone (in memoriam), em Enfermagem; e Milton, em Agronomia.

Hoje, seus filhos – tendo Sérgio se formado em Administração de Empresas pela URI Santiago, e Leonardo em Engenharia de Produção pela Universidade de Caxias do Sul -, seus oito netos (Giovanna, Bruna, Thiago, Henrique (in memoriam), Gabriel, Ana Carolina, Mariana e Taís) e uma bisneta (Anna) honram o legado de seu pai e avô e cultivam os mesmos valores de família, trabalho e fé.

Por Marta Guerra Sfreddo

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Formada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo - pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), especializada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Caxias do Sul e licenciada em Letras pela UCS.

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