Pesquisa aponta que novo Ensino Médio requer ajustes

O texto do Novo Ensino Médio pode ser votado no dia 18 de junho na Comissão de Educação e Cultura (CE) do Senado Federal. A medida tem gerado preocupação em diversos setores devido às últimas alterações realizadas pela Câmara dos Deputados. Na última versão, foi reduzida para 2,2 mil horas a carga horária das disciplinas obrigatórias, sobrando 800 para optativas, e incluiu espanhol entre os cursos exigidos. O equilíbrio entre matérias optativas e obrigatórias também é tema de preocupação para pais e responsáveis.

Para 58,79% deles, o novo Ensino Médio não está preparando adequadamente os jovens para o futuro profissional e pessoal, conforme levantamento realizado pela Melhor Escola, principal marketplace do Ensino Básico do Brasil. A pesquisa se baseou em um questionário com 842 pais e responsáveis de estudantes de escolas públicas e particulares.

Os dados também revelam que 77,08% dos responsáveis concordam com o aumento da carga horária das matérias obrigatórias (como português, matemática e outras) aprovada pela Câmara dos Deputados. Além disso, 51,19% veem de forma benéfica a redução da carga horária das disciplinas optativas. Das 842 respostas, 456 são provenientes de pais cujos filhos estudam em escolas públicas e 386 em escolas particulares. Entre os participantes, 2,99% tinham filhos matriculados no Ensino Infantil, 29,45% no Ensino Fundamental I, 24,47% no Ensino Fundamental II e 22,09% no Ensino Médio.

“O Novo Ensino Médio seria uma ótima implementação, porém, na prática, ele não tem funcionado, conforme observo enquanto professora. As escolas não estão preparadas para desenvolver os projetos propostos; os professores não possuem habilitação/ capacitação para ministrarem os conteúdos; as matérias inseridas não são as mesmas cobradas no Enem. Portanto, o aluno é privado de expandir seu conhecimento naquilo que realmente lhe será proveitoso”, comentou uma das mães participantes da pesquisa.

“Ao reconhecer e valorizar as aptidões individuais, o ensino pode se tornar mais relevante e envolvente para os alunos. No entanto, apesar desses pontos positivos, ainda há espaço para críticas construtivas. Por exemplo, a implementação prática dessas ideias pode ser difícil, especialmente em um sistema educacional já sobrecarregado e subfinanciado. Além disso, garantir que todos os alunos recebam o suporte necessário para desenvolver suas aptidões individuais pode exigir recursos adicionais e um compromisso firme por parte das instituições educacionais e dos formuladores de políticas”, observou outro respondente.

Em vigor no Brasil desde 2022, o Novo Ensino Médio tem sido alvo de debates, principalmente em relação ao equilíbrio da carga horária optativa e obrigatória. No ano passado, o governo federal enviou um projeto de lei para o Congresso para definir 2.400 horas para disciplinas obrigatórias e 600 horas para optativas (itinerários formativos escolhidos pelo aluno). Anteriormente, eram 1.800 horas para disciplinas obrigatórias (previstas na Base Nacional Comum Curricular) e 1.200 horas para optativas.

Para Sérgio Andrade, sócio-fundador do Melhor Escola, a percepção dos pais e responsáveis sobre o Novo Ensino Médio pode ser atribuída a diversos fatores, como a falta de integração entre teoria e prática, a ausência de disciplinas mais voltadas para o mundo do trabalho e a escassez de oportunidades de experiências práticas e estágios.

“As recentes discussões sobre as mudanças no modelo do Novo Ensino Médio brasileiro têm levado à reflexão sobre a importância de uma formação mais alinhada com as demandas do mercado de trabalho e das profissões do futuro. É fundamental que as escolas estejam preparadas para oferecer uma educação mais contextualizada, com foco no desenvolvimento de competências e habilidades essenciais para o sucesso profissional dos jovens”, analisa.

Divulgação: Assessoria de Imprensa Melhor Escola

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Formada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo - pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), especializada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Caxias do Sul e licenciada em Letras pela UCS.

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