Primeira planta de etanol de amiláceos do RS será instalada em Santiago

O município gaúcho de Santiago, no Vale do Jaguari, a 440 quilômetros da Capital, saiu na frente e terá a primeira planta  de etanol de amiláceos do Rio Grande do Sul (RS).

Com tecnologia 100% nacional e fabricação 100% gaúcha, a usina operada pela empresa santiaguense CB Bionergia deverá produzir, inicialmente, 10 milhões de litros de etanol/ano, podendo expandir para até 80 milhões de litros. A empresa fechou parceria comercial com a Ampla Performance Industrial, sediada em Getúlio Vargas (RS), que fará a instalação do maquinário.

A notícia partiu do prefeito Tiago Gorski Lacerda, que aposta no investimento para alavancar o desenvolvimento econômico de Santiago, que tem uma população de aproximadamente 50 mil habitantes. 

Animado com a perspectiva de colocar a cidade no mapa dos investimentos de biocombustíveis, o que deve gerar oportunidades de novos negócios e mais empregos, o prefeito concedeu esta entrevista ao site Letteris:

Letteris – Qual deverá ser o volume de produção/ano da planta de etanol?

Prefeito Tiago Gorski Lacerda

Prefeito Tiago Gorski Lacerda

Tiago Gorski Lacerda – A CB Bioenergia produzirá, nesta primeira etapa, 10 milhões de litros de etanol por ano, e 15 mil toneladas de DDGS – ração animal com alto teor proteico que é utilizada na alimentação de bovinos, suínos e equinos. Mas já tem projeto de expansão para 80 milhões de litros de etanol, 120 mil toneladas de DDGS e cogeração de energia nos próximos anos.

Letteris – A produção do etanol derivará de quais culturas?

Tiago Gorski Lacerda – A produção de etanol e de DDGS será pelo processamento de amiláceos, especialmente originados das culturas de inverno como trigo e triticale.

Letteris – Qual a participação da CB Bionergia e Ampla Performance Industrial no investimento?

Tiago Gorski Lacerda  – Para desenvolver o projeto e a montagem completa da indústria, as empresas CB Bioenergia e Ampla Performance Industrial estabeleceram uma parceria comercial para viabilizar o empreendimento inovador em nosso estado: a primeira usina de etanol de amiláceos do Rio Grande do Sul com produção, tecnologia e fabricação 100% gaúcha.

Letteris – Qual a expectativa de geração de empregos?

Tiago Gorski Lacerda  – Ao longo de todo processo construtivo, serão gerados mais de 80 empregos diretos e indiretos. Durante a operação serão gerados 50 empregos diretos, além de um grande volume de oportunidades indiretas, tanto na produção, armazenagem, logística, entre outros, visto que com a potencialização das culturas de inverno, empreendimentos deste setor proporcionarão um grande desenvolvimento econômico ao nosso estado, pois gerarão um considerável incremento de insumos, mão de obra e máquinas, gerando tributos para os municípios e renda para os agricultores.

Letteris – De onde virá o fornecimento da matéria-prima?

Tiago Gorski Lacerda  – A matéria-prima para a produção de etanol de amiláceos virá de agricultores e cerealistas da região  Centro-Oeste do RS, inicialmente das lavouras do Grupo CB, de Cássio Souza Bonotto.

Letteris – Quando se inicia a implantação da usina e qual a previsão de início das operações?

Tiago Gorski Lacerda  – Todo o processo de licenciamento, elaboração de projetos, produção e desenvolvimento de equipamentos se iniciaram em setembro deste ano, e o início das atividades industriais da usina de etanol de amiláceos está previsto para outubro de 2022.

Letteris – Qual o valor do investimento?

Tiago Gorski Lacerda – O empreendimento será executado em etapas. Na primeira etapa serão investidos R$ 60 milhões. Nas demais etapas, os investimentos poderão chegar a R$ 500 milhões.

Letteris – Em que área do município será instalada e qual será seu tamanho?

Tiago Gorski Lacerda  – A CB Bioenergia será instalada numa área privada, adquirida em Santiago, especificamente para sua atividade, totalizando 15 hectares.

Letteris – Quais os incentivos dados pelo município para atrair a planta?

Tiago Gorski Lacerda  – A CB Bioenergia decidiu se instalar em Santiago em virtude da relevância econômica, logística adequada para a cadeia de insumos, escoamento dos produtos, possibilidades de qualificação de mão de obra e ambiente adequado ao desenvolvimento econômico. Neste sentido a Administração Municipal auxiliará na interlocução com os diversos segmentos envolvidos para a concretização do empreendimento, nas esferas municipais, estaduais e federais, não havendo nenhum incentivo financeiro, fiscal ou de qualquer natureza da Administração Pública Municipal para o empreendimento.

Letteris – Quais os benefícios para o município?

Tiago Gorski Lacerda  – São diversos os benefícios que o município tem a conquistar, sejam eles no relevante incremento do retorno do ICMS e outros impostos, bem como a geração de emprego formal, o fortalecimento das culturas de inverno e toda cadeia produtiva, das novas empresas de suporte ao setor que devem surgir em paralelo ao empreendimento. Outro benefício é a inserção, cada vez maior, de Santiago e região do Vale do Jaguari como potencial território para o desenvolvimento do agronegócio e da industrialização derivada do mesmo. Poder colocar Santiago no mapa dos investimentos de biocombustíveis é uma de nossas maiores conquistas, além da tão sonhada industrialização das matérias-primas aqui produzidas. Além disso, Santiago poderá alavancar a produção de proteína animal, através da instalação e ampliação de fábricas de ração e confinamentos, especialmente de bovinos, os quais consumirão o DDGS – ração com alto teor proteico, produzido pela CB Bioenergia. Salienta-se também o estímulo ao plantio de florestas de eucalipto para a produção de lenha/cavaco visando fornecer fonte de energia para a usina.

Letteris – Qual o mercado consumidor do produto?

Tiago Gorski Lacerda  – Os consumidores do etanol hidratado serão a frota veicular e também boa parte da frota de aeronaves, as quais utilizam etanol como seu combustível. Já o etanol anidro, mistura obrigatória na gasolina, tem como mercado as distribuidoras de combustíveis. Em relação ao DDGS, o mercado consumidor serão as fábricas de ração e os confinamentos de bovinos e suínos da nossa região. Hoje, ambos os produtos são adquiridos pelos gaúchos principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

Letteris – Que ações o poder público municipal irá adotar para incentivar a produção agrícola destes insumos. Santiago já tem capacidade de produção para atender à demanda da usina?

Tiago Gorski Lacerda  – Intermediar a realização de painéis sobre o setor e suas atividades, proporcionar rodadas de negócio entre a CB Bioenergia e o setor do agronegócio, conectando a demanda com a oportunidade. Incentivar esta transformação da produção e interação entre os diversos atores deste setor. Buscar agregar um ecossistema de inovação para toda uma cadeia produtiva. Sim, Santiago e região já têm capacidade suficiente para atender à demanda da usina.

Letteris – De que forma este investimento irá repercutir nas finanças do município?

Tiago Gorski Lacerda  – Este é um investimento que repercute muito além da geração de emprego e renda, com volumes de novos empregos, oportunidades diretas e indiretas, com melhoria de resultados gerando o crescimento do nosso PIB. Mas principalmente o desafio de agregar valor na produção primária, com uma indústria de transformação que vai impulsionar o setor da industrialização do agronegócio em nossa região e também por ser considerado um empreendimento do futuro, pois produzirá um biocombustível verde que reduz 70 gCO2eq/MJ gerando, assim, a descarbonização e a redução de gases causadores do efeito estufa. Uma usina com zero resíduos, externalidades positivas pelos ganhos ambientais e de saúde pública, vantagens econômicas e ambientais da bioeletricidade e demais subprodutos.

Texto e entrevista: Marta Guerra Sfreddo

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Formada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo - pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), especializada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Caxias do Sul e licenciada em Letras pela UCS.

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