Biamar amplia estrutura e capacidade com investimento de R$ 24 milhões

Com quatro décadas de atividades, completadas em julho, a Biamar está investindo em torno de R$ 24 milhões na ampliação e modernização da planta fabril localizada em Farroupilha. Na incorporação de mais 28 novos teares ao parque, já formado por 120 unidades, todas de origem japonesa, o aporte é de R$ 9 milhões. No total, serão 138 equipamentos, pois haverá substituição de alguns.

Com a nova estrutura, a expectativa é elevar em cerca de 10% a produção atual de 750 mil peças por ano. “A partir de 2027, esperamos acrescentar capacidade para mais 80 mil peças”, comenta o diretor industrial Luciano Marmentini Biazoli. A malharia processa anualmente em torno de 350 a 400 toneladas de fios de fibras naturais e sintéticas, sendo 70% importadas, incluindo algodão, alpaca, modal, lã, viscose, linho, mohair e poliamida.

O valor de R$ 15 milhões se destina à infraestrutura. Dentre outras medidas, a empresa prepara a expansão de mais 2 mil metros quadrados na sede, que hoje soma 22 mil metros quadrados, dos quais 5 mil destinados à loja, que atende a cerca de 7 mil clientes ativos, exclusivamente varejistas. Em torno de 90% das compras são feitas presencialmente na loja.

A Biamar concentra 70% das vendas em clientes sediados no Rio Grande do Sul. Santa Catarina absorve 20% e o restante segue para diferentes estados. No entanto, segundo o executivo, a marca é encontrada nacionalmente, pois a maior parte dos clientes atua também por e-commerce. O modelo de negócio da empresa é da pronta-entrega, sustentado no desenvolvimento permanente de coleções. Ao ano são criados em torno de 800 modelos.

Uma das iniciativas na malharia é a produção de peças sem costura, que saem praticamente prontas dos teares, necessitando apenas de acabamento e identificação. De acordo com o diretor, esta é uma tendência de futuro, pois o processo acelera a fabricação e reduz o desperdício de insumos. A representatividade é ainda baixa no volume total produzido, mas com expectativas promissoras.

Toda a linha de produção é automatizada, com acompanhamento em tempo real, e índice de eficiência de 92% das máquinas. São 500 empregos diretos, sendo 83% ocupados por mulheres, que também respondem por 61% das lideranças. Há mais 100 postos indiretos por meio da terceirização de alguns serviços, como de tinturaria. Com a ampliação, a expectativa é de mais 50 vagas diretas.

Um dos diferenciais da empresa é possuir um laboratório exclusivo de criatividade e desenvolvimento, equipado com oito teares dedicados integralmente à prototipagem. O espaço permite testar cores, fios, texturas e ajustes sem interromper a produção. Entre os destaques está o fio pluma, desenvolvido internamente pela Biamar e seus parceiros, tendo registrada a matéria prima e posteriormente reproduzido por outras marcas do setor. Além dos teares japoneses, a malharia tem equipamentos chineses, italianos e brasileiros, totalizando mais de 400 unidades industriais.

Coleções da Biamar se adaptam às mudanças do varejo e ao comportamento de consumo

A empresa realiza cerca de 10 lançamentos anuais, adaptando-se às mudanças do varejo e ao comportamento de consumo. O principal lançamento ocorre em janeiro e representa aproximadamente 25% do faturamento anual. Ao longo do ano, novas coleções cápsulas são lançadas estrategicamente conforme datas comerciais e mudanças climáticas. A Biamar atua nos segmentos de malhas, tricôs, confecção, moda masculina, moda jovem, decoração e calçados, com as linhas Biamar, Biamar Home, Biamar Shoes, aBênção e Urbanity.

O sócio Itacir Marmentini destaca que o clima é um dos fatores que mais influencia no desempenho anual da marca, que tem forte dependência das estações frias. Cita como preocupação a chegada de produtos de fora. A meta da empresa de aumentar a receita entre cerca de 20% neste ano está se confirmando.

Início em um porão

A Biamar iniciou em 1986 em um espaço de 30 metros quadrados a partir da sociedade dos irmãos Devilda Marmentini Biazoli e Itacir Ari Marmentini. O primeiro endereço foi um espaço de 30 metros quadrados na residência da sócia-fundadora. O nome veio dos sobrenomes: “Bia”, de Biazoli, e “Mar”, de Marmentini.

Em 1989, Segundo Biazoli, marido de Devilda, vendeu seu caminhão para investir no negócio, tornando-se sócio e possibilitando a primeira expansão da marca. Em 1991, Sônia Marmentini, esposa de Itacir, passou a integrar a empresa e trouxe a tecnologia para dentro da operação, iniciando um processo de modernização, e culminando na inauguração da primeira sede própria com 530 m². A primeira máquina eletrônica alemã chegou em 1994. Seguiram-se vários investimentos em expansão do parque fabril, até o atual.

Entre 2020 e 2025, a Biamar investiu mais de R$ 100 milhões em infraestrutura, tecnologia, treinamento, desenvolvimento de produtos e ampliação da operação. O marco mais recente foi a inauguração, em 2022, do novo complexo industrial de 22 mil metros quadrados, avaliado em R$ 60 milhões. Do total, 10,5 mil m² destinados são destinados ao parque fabril e 12,5 mil m² à área comercial, showroom, depósito, marketing, estúdio fotográfico e recepção de clientes.

Texto: Roberto Hunoff

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Formada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo - pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), especializada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Caxias do Sul e licenciada em Letras pela UCS.

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